quinta-feira, 26 de março de 2009

O CAOS

Existem duas categorias assumidas de admiradores de José Cid : num lado, a maioria, aqueles que apreciam as suas baladas e canções populares e, num extremo totalmente oposto, a minoria, constituída por rockeiros, que se limitam apenas a apreciar, sem nada mais quererem conhecer, duas das obras de referência do rock português assinadas por José Cid: a obra-ensaio “ Onde, Como, Quando, Porque, Cantamos Pessoas Vivas”, em colaboração com o Quarteto 1111, lançado para o mercado em 1975, e o magnífico disco “10000 anos depois entre Vénus e Marte”, de 1978, pela etiqueta Orfeu ( FPAT-6001). É sobre este último que nos debruçaremos hoje sem, contudo,nos querermos incluir em qualquer uma dessas categorias estereotipadas de admiradores de José Cid, uma vez que temos precisamente por objectivo demonstrar que as canções de José Cid não se resumem apenas a essas duas categorias musicais.
"10 000 anos depois entre Vénus e Marte" é, sem dúvida alguma, o disco mais conhecido de José Cid no Mundo inteiro, o mais procurado e, claro, o mais apreciado. No entanto, num sentido diametralmente inverso, em Portugal continua a ser dos álbuns de José Cid menos conhecidos pela generalidade do público. Para esse facto, contribuíram diversos factores: desde logo o pensamento geral de que a música portuguesa (só por ser portuguesa) não presta e que jamais os portugueses conseguem criar grandes obras ou composições musicais. A música estrangeira que invade as rádios do nosso Portugal é um reflexo dessa maneira de pensar, facto que nos preocupa, quanto mais quando sabemos que lá fora, a música portuguesa, nomeadamente a de raiz popular, é sobejamente apreciada. Por outro lado, a ideia (errada) da grande maioria da população de que música de José Cid se resume a canções como “ Favas com Chouriço ” ou “Como o macaco gosta de banana”, também contribuiu para que durante quase duas décadas o disco "10000 anos depois entre Vénus e Marte", tivesse sido esquecido pela Editora e colocado nas prateleiras de discos que estariam irremediavelmente condenados a apodrecer junto ao pó do vinil, sem reedição em CD. A tudo isso acresce ainda a conjuntura do panorama musical português aquando do lançamento de 10000 anos entre Vénus e Marte, que convém salientar: Se por um lado a mal preparada crítica de então recebeu com desconfiança este arrojado trabalho de José Cid, arrasando-o por completo, não deixa de ser menos verdade que a politização da música portuguesa que se seguiu aos anos imediatamente a seguir ao 25 de Abril de 1974, corporizada em alguns trabalhos brilhantes dos chamados cantautores, aliada ao surgimento do rock de massas, não deixava antever qualquer espaço comercial para um disco tão arrojado e moderno como o foi na altura 10000 anos depois entre Vénus e Marte. Na verdade, José Cid, pese embora o carácter vanguardista a que sempre esteve associado em tudo o que tinha feito até então, ora com o Quarteto 1111, ora a solo, sempre foi posto de lado pelos novos donos da música do pós 25 de Abril, tendo sido rapidamente marginalizado por não se associar, quer em termos pessoais, quer em termos musicais, a qualquer lado da barricada, nomeadamente a música de propaganda da política de esquerda. Na verdade, José Cid foi dos poucos músicos cujo talento conseguiu transitar de forma incólume do antes para o pós 25 de Abril, sem qualquer preocupação que não a de apenas compor musica. Fontes muito próximas do Autor confirmam uma certa tendência para a marginalização de José Cid, enquanto músico que não pertencia ao sistema que se pretendia criar então e de um quase total boicote aos caminhos ultra visionários que era sua intenção seguir.Não estranhou, portanto, que 10000 anos depois entre Vénus e Marte fosse um verdadeiro fracasso comercial, pouco divulgado, que esteve quase a ser rejeitado pela editora Orfeu, a qual, apesar da aposta na qualidade patente nos ilustres artistas que representava na altura, talvez não fosse a editora mais adequada para José Cid se aventurar nos caminhos do rock sinfónico, vertente musical que pretendia na altura explorar. Por mera curiosidade, e por exigência de José Cid, a versão final do disco, em capa gatefold, vinha acompanhada por um livro de 6 páginas, com um banda desenhada de vivas cores, que aumentou de tal forma os custos de fabrico da arte final da capa do disco, de forma que, ao artista foi comunicado que não havia dinheiro para pagar tal impressão. Tal facto, contribuiu para que José Cid tenha decidido abdicar de todos os seus direitos comerciais pelo lançamento do disco( leia-se “dinheiros”), não recebendo nada em troca, que não a garantia de que o disco seria lançado para o mercado. Só esse gesto de amor é que tornou possível que a obra se tornasse uma realidade. Com 10 mil anos depois entre Vénus e Marte, José Cid provou de forma clara que, em termos musicais, também já se encontrava efectivamente numa outra galáxia, à semelhança da história que narra no albúm. Se, é verdade que tentativas esporádicas de algum rock progressivo já tinham sido ensaiadas antes de 1978, é com este trabalho musical que o rock progressivo em Portugal atinge o seu clímax. José Cid, apresenta-nos um belo trabalho de rock espacial (que bem poderia ser a banda sonora de um filme de ficção cientifica) centrado numa história baseada na destruição do planeta Terra pelo Homem, através da guerra e pela poluição, e na posterior fuga para o espaço de apenas dois seres humanos (um homem e uma mulher), numa nave espacial, os quais regressam 10 000 mil anos depois à Terra, entretanto já transformada num planeta vazio, virgem, inabitado e verdejante à espera que o descobrissem, para que fosse então possível, construir uma nova civilização, a partir do zero, à semelhança da génese primitiva de Adão e Eva.
Todo o disco é um apelo à imaginação do ouvinte e aos cenários auditivos que só a música de indiscutível qualidade nos pode transmitir. Desde a percussão galopante vertida no tema Caos, anunciado já uma fuga da cidade em chamas, à viagem espacial pelas galáxias do Universo, passando pela descoberta de um novo planeta e ao regresso à Terra, 10000 anos depois entre Vénus e Marte revela pela primeira vez aos portugueses a capacidade de um músico poder fazer rock em Portugal com expressão universal. Para além, disso, ao mesmo tempo que outros músicos acordavam para o que José Cid e o Quarteto 1111 já tinham feito uma dezena de anos antes, José Cid aventurava-se num conceito de música inovador, acompanhando os grandes grupos de rock progressivo e sinfónico da altura, como os Génesis, Pink Floyd ou Jethro Tull, num trabalho no qual toca piano acústico, piano eléctrico,orgão,diferentes sintetizadores e, claro, o mellotron, instrumento que conduz a viagem de todo o disco, que, no fundo, o elevou nos tempos actuais como uma das referências a nível mundial do mellotron. Para além de José Cid, colaboraram na gravação do álbum o inseparável Mike Sergeant ( viola solo e viola de 12 cordas no tema “Caos”) Ramon Galarza( percussão) e o baixista Zé Nabo, que também tocou viola solo e de 12 cordas.
A bom tempo, felizmente, a editora americana de Los Angeles, a Art Sublime descobriu e reeditou o disco em 1994, numa brilhante edição de luxo, limitada de 500 cópias, réplica do vinil em tamanho original, embora no interior constasse o disco em formato CD, ao qual juntou o tema extra “ Vida” ( Sons do Quotidiano)", gravado em 1977, fruto da parceria Cid, Scarpa, Carrapa & Nabo. De imediato, 10000 mil anos depois entre Vénus e Marte, adquiriu um estatuto especial, tendo tal reedição contribuído para que o interesse súbito nesse disco atingisse uma imediata dimensão mundial. Na verdade, editoras independentes de todo o mundo têm manifestado um interesse por esse disco, reeditando-o. A divulgação e o reconhecimento de 10000 anos depois entre Venús e Marte como uma obra prima do rock progressivo e do mellotron, teve o seu auge quando anos mais tarde, a revista especializada de rock BillBoard, aquando da elaboração de uma lista dos melhores discos de sempre de rock progressivo a nível mundial, o inserisse na referida lista no número 57.º . É verdade que é apenas uma crítica, mas para orgulho do rock português, este é o único disco de Rock feito em Portugal com reconhecimento e procura no estrangeiro, nomeadamente a sua edição original em vinil, cujo preço chega a atingir os milhares de euros. Nunca fomos muito a favor de catalogação e, especialmente, da hierarquização de discos por ordem descendente de qualidade, uma vez que todas as apreciações transportam consigo um enorme lado de subjectivismo e de gosto pessoal. No entanto, não temos dúvidas em aceitar perfeitamente que 10 000 mil anos depois entre Vénus é efectivamente um dos álbuns de referência do rock mundial e que, orgulhosamente, é da autoria de um português. Não podemos deixar de salientar a curiosa confidência que o próprio José Cid nos fez, quando referiu que o disco terá vendido apenas 600 cópias no ano do seu lançamento, razão pelo qual esse álbum andou perdido no tempo e quase que condenado ao esquecimento.
Actualmente, 10 mil anos depois entre Vénus e Marte, encontra-se facilmente à venda em formato CD, em qualquer loja de discos do pais, em virtude da sua reedição pela MoviePlay em 1999, facto que tem contribuído para que, a pouco e pouco, este trabalho passe a ter o merecido destaque no panorama musical português. Não poucas vezes, durante os concertos de José Cid dos últimos anos, fãs surgem em frente ao palco com faixas ou lençóis com um simples pedido “ Zé, toca o Caos!”, que, bem vistas as coisas, acaba por ser a canção mais conhecida desse disco, e por consequência, talvez a canção mais conhecida de José Cid no mundo inteiro. Efectivamente para os admiradores do género espalhados por todo o mundo, não há dúvidas em reconhecer aquela sequência de acordes bem ritmada de Mike Sergeant, que serve de introdução ao “Caos”, a canção liricamente mais agressiva e, em termos musicais, a mais poderosa de todo o disco. Ao escolhermos “O Caos” para apresentar este disco, estamos também a entrar na actual realidade onde vivemos e para a destruição para a qual caminhamos a passos largos. As breves notícias do tempo recente e a ausência de soluções para o tempo futuro, colocam-nos diariamente perante becos, a maioria dos quais sem saída, dos quais não conseguimos escapar. A violência, a instabilidade, os atentados constantes, os massacres perpetrados em locais públicos, sejam eles de culto ou escolas, todos esses factores contribuem, infelizmente, para que "O Caos", passados 30 anos do seu lançamento, continue a ser um tema actual neste Portugal, cujo futuro próximo nos amedronta.

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Imagens reproduzidas da colecção particular do autor do blogue

sábado, 14 de março de 2009

Portugal, Portugal, Portugal

Portugal, Portugal, Portugal não se pode considerar, de forma alguma, uma canção totalmente desconhecida para os apreciadores de José Cid, contrariamente a todas as outras que até ao momento temos vindo a divulgar neste espaço. No entanto "Portugal, Portugal, Portugal", parece-nos ser, de entre todas as canções que José Cid gravou num estilo mais popular, aquela que apela de forma mais evidente à riqueza do nosso folclore. Aliás, é através das canções populares que podemos compreender com mais facilidade a versatilidade musical de José Cid. Basta pensarmos que entre 1977 e 1978, José Cid se encontrava a gravar um disco de rock progressivo, enquanto que ao mesmo tempo lançava para o mercado singles de música de raiz popular ( “ A Anita não é bonita” e “Ti Anita”), para percebermos que, com José Cid, as formas de expressão musical podem ser infinitas. Ora, como não podia deixar de ser, mais tarde ou mais cedo, teríamos que abordar este lado mais popular no qual José Cid, orgulhosamente, também se encontra inserido. Ao escolhermos “Portugal, Portugal, Portugal” para ilustrarmos esta vertente de José Cid, estamos também a prestar homenagem a um país que continuamos a considerar ser bonito, apesar da constante destruição dos nossos espaços verdes, em abono de construções faraónicas de betão, contrariamente às paisagens que José Cid evoca em "Portugal, Portugal, Portugal".
Não podemos deixar de salientar que muito antes de "Portugal, Portugal, Portugal", já a temática da portugalidade esteve bem presente na carreira discográfica de José Cid, desde logo com a emblemática “ Lenda de El Rei. D. Sebastião”, passando pela “Balada para D. Inês”, pela menos conhecida “ Nas terras do fim do mundo” e pelo tema menos explícito mas contundente, “Vale da Ilusão”, todas estas composições do tempo do Quarteto 1111.
"Portugal, Portugal, Portugal", foi originalmente editado em 1979, como primeiro tema do alinhamento do lado A do álbum “ José Cid Canta Coisas Suas” ( Orfeu FTAP 606), com arranjos de José Cid e contributos de Pedro Caldeira Cabral ( viola), Ramón Galarza, Mike Sargeant e coros de Ana Maria Almeida, Constança Almeida e Ana Sofia Cid. Ainda no mesmo ano, foi editado um single desse mais recente trabalho de José Cid, distribuído em França pela etiqueta VOGUE ( VG 108-101267), para divulgação no estrangeiro. Os temas incluídos no single foram precisamente “ Portugal, Portugal, Portugal” e “ Olinda, a Cigana”, como lado B. Dada a sua raridade, e por nos ter sido solicitado por um leitor do nosso blogue, aqui deixamos para os leitores imagens da capa do referido single e um excerto desta canção, na qual podemos escutar facilmente a (nossa) guitarra portuguesa, os ferrinhos e ainda os afinados coros das portuguesas bonitas que fazem deste Portugal um pais ainda mais belo.

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domingo, 8 de março de 2009

Oiça a opinião de José Cid

No início da década de 80, as Selecções do Reader’s Digest editaram uma caixa com 8 LP’s estereofónicos dedicada aos maiores intérpretes e compositores da música portuguesa com o nome de “ SUPER ESTRELAS DA MÚSICA PORTUGUESA”. Tal edição foi considerada, pelas próprias Selecções, como o acontecimento musical do ano. Tratou-se de um registo discográfico, exclusivo para assinantes, que reunia na mesma caixa de discos, nada mais nada menos, do que 96 canções, numa tentativa de compilação dos grandes sucessos de sempre da nossa música popular. Com excepção de um LP totalmente dedicado a Amália Rodrigues, cada um dos discos era dedicado a dois artistas, tendo cada um direito a uma face do disco só com canções por si interpretadas.
Os artistas que fizeram parte do elenco dos discos foram os seguintes: Amália Rodrigues, Gemini, Paco Bandeira, Tony de Matos, Maria Clara, Carlos do Carmo, Simone de Oliveira, Duo Ouro Negro, Alfredo Marceneiro, Francisco José, Hermano da Câmara, Paulo de Carvalho, Maria Lurdes Resende, Tonicha e, claro está, José Cid. Curiosamente, Tonicha e José Cid, partilharam respectivamente o Lado A e lado B do disco 8, eles que já tinham gravado juntos com o Quarteto 1111 em 1968. Muitos mais artistas mereceriam ser incluídos nesse álbum, pois quando se pretende elaborar uma compilação de sucessos, questões relativas a direitos editoriais muitas vezes esbarram nas intenções dos mentores desse tipo de projectos, fazendo com que um ou outro artista tenha que ser necessariamente excluído. No entanto, cremos que parte dos artistas mais populares das décadas de 60 e 70 estão efectivamente reunidos neste disco.
Se esta colecção de discos é relativamente conhecida, o mesmo já não diremos do disco que apresentamos hoje. Trata-se de um disco flexível, amostra promocional da colecção SUPER ESTRELAS DA MÚSICA PORTUGUESA”, apresentado por António Sala, no qual se pode ouvir vários excertos das canções que compunham a colecção e as opiniões de vários intérpretes representados nesses discos, entre as quais as de Amália Rodrigues, Simone de Oliveira e José Cid.
Por um questão de rigor, iremos transcrever os dizeres constantes desse pequeno disco de vinil flexível: Disco Amostra Grátis/ Este disco destina-se unicamente a fins de demonstração. A qualidade do som não é de modo algum representativa da dos discos que compõem o Álbum. INSTRUÇÕES PARA UTILIZAÇÃO: Não utilizar com dispositivos de mudança automática de discos. Para melhor reprodução coloque aqui uma moeda de 1 escudo. Venda Proibida.”
Ora, precisamente depois de termos comprado este disco (por 50 cêntimos na Feira de Antiguidades de Coimbra) num estado lastimável e depois de o ter-mos conseguido pôr a tocar com duas moedas de 20 cêntimos na sua superfície, estamos agora em condições de partilhar com os leitores a opinião de José Cid sobre esse lançamento, do qual destacamos a seguinte frase: “.... a nossa música foi finalmente tratada como merece”. Pelo que conhecemos do Artista, acreditamos que José Cid em 1980, acreditava piamente no que estava a dizer.... Ironicamente, nessa altura José Cid ainda estava longe de saber que, uma década depois, teria que posar nú para uma revista em sinal de protesto pelo facto de a música portuguesa não estar a ser tratada como merecia, por não passar nas playlists das rádios portuguesas, em detrimento de música estrangeira.
Felizmente para nós, assistimos hoje a um novo interesse pela música portuguesa em geral, patente em programas de televisão e também em (algumas) rádios, o que nos deixa manifestamente satisfeitos, embora tenhamos consciência de que muito mais haverá a fazer e que nenhuma rádio portuguesa cumpre a legislação em vigor relativa às quotas de música portuguesa. Mas isso são outras questões... fiquem hoje com um excerto desse raro momento fonográfico, registado num disco flexível !

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domingo, 1 de março de 2009

Nossa Senhora do Tejo

Nasci na margem de um rio/ que me banhou em menino/ que me levou para longe/ quando traçou o meu destino. São estes os primeiros versos que José Cid escreveu em 2002 ao compor a canção Nossa Senhora do Tejo e que bem podiam ser um reflexo do percurso da sua vida.
José Cid nasceu na Chamusca, uma vila junto à margem Sul do Tejo, tendo sido levado pelos seus pais, com apenas 11 anos, para viver no centro do país, em Mogofores, no concelho de Anadia, terra onde se radicou até aos dias que hoje correm. A proximidade de Mogofores com a cidade de Coimbra fê-lo desde muito cedo compreender e seguir o seu destino, que parecia traçado quando saiu da Chamusca: a música. Para Coimbra fugia para tocar, tendo sido lá que formou os primeiros grupos de música onde participou ( os Babies e a Orquestra Ligeira do Orfeon Académico) e ainda hoje, quando é convidado para concertos com um registo mais intimista por esse país fora, fá-lo quase sempre acompanhado pelos sons das guitarras de Coimbra.
O tema que escolhemos para hoje é também presença habitual no alinhamento normal de um concerto mais intimista de José Cid. Falamos de Nossa Senhora do Tejo, tema que José Cid compôs para a telenovela portuguesa “ Filha do Mar” num formato mais acústico e que o Artista incluiu também no seu álbum de 2002 “De Surpresa” (Ovação 5041 UPCD), dedicando-o a todos os que nasceram nas margens do Tejo, em particular aos chamusquenses.
No entanto, quem pense que a versão de "Nossa Senhora do Tejo" incluída na banda sonora original da novela “ Filha do Mar” é igual à versão incluída no disco “De Surpresa” está redondamente enganado. Bem pelo contrário; terá precisamente uma surpresa! Para continuarmos a mostrar o lado mais camaleónico de José Cid, nada melhor do que partilharmos com os nossos leitores a versão house de Nossa Senhora do Tejo, ou melhor, a versão "house acústico", conforme acertada descrição no booklet que acompanha o CD.
Confessamos que a dance music, tecno, trance ou house, não são propriamente os nossos estilos de música preferidos, nem provavelmente os do próprio José Cid. No entanto, não podemos deixar de mostrar mais uma vez a versatilidade das canções de José Cid. Em relação ao tema de hoje, muito mais do que um mero remix, estamos perante uma canção com um destinatário determinado, bem fácil de descortinar pelo som das violas que se cruzam facilmente com as águas do Tejo e com a vila da Chamusca. Fica então aqui o registo de que, pelo menos por uma vez, também José Cid se aventurou pelos campos da música electrónica dançável.


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