quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A Anita já é bonita - Florbela Queiroz

As músicas de José Cid, praticamente desde o inicio da sua carreira e até aos nossos dias, têm sido objecto de inúmeras versões, cantadas pelos mais diversos artistas, dentro de enumeras correntes musicais. Exemplo disso é o recente disco de Susana Félix, “Nós” na qual esta interpreta a canção Vinte anos, de José Cid.
Curiosamente algumas das canções com letra e autoria de José Cid foram primeiramente gravadas por outros artistas, sendo só mais tarde foram gravadas em nome próprio por José Cid. De rápida memória lembramo-nos, por exemplo, de “Gloria Aleluia” por Tonicha e Simone de Oliveira, “Amanhã, amanhã” por José Cheta e de "Big Brother Joe", por Edmundo Falé, entre muitas outras. Menos conhecido é o facto de algumas das canções de José Cid terem sido literalmente parodiadas por outros artistas, uns assumidos cantores ou actores, outros assumidamente comediantes e até por fadistas aspirantes a humoristas, que mais tarde elencaremos.
A peculiar ( e divertida )versão sobre a qual nos debruçamos hoje é a paródia de “Anita não é bonita “idealizada por Eduardo Damas e transformada em disco em disco com o título travestido de “A Anita já é bonita”, cantada pela conhecida actriz Florbela Queiroz.
Para os mais novos (geração na qual nos incluímos) poderá causar alguma estranheza tal versão ter sido interpretada por Florbela Queiroz. No entanto, a carreira artística de Florbela Queiróz teve desde sempre associada não só ao teatro, como também ao mundo da canção, não sendo excessivo dizer mesmo que durante a década de 60 e inícios da década de 70 a representação e a canção andaram de mãos dadas na vida artística de Florbela Queiroz. Aliás, são mesmo um regalo para os nossos ouvidos as canções que Florbela Queiroz gravou para a Editora Tecla entre 1966 e 1967, coincidindo com os seus três primeiros EP's.
Não podendo, no entanto, Florbela Queiroz, transformar-se numa espécie de mulher dos sete instrumentos, devido às constantes exigências e solicitações que lhe eram impostas devido ao seu estatuto de mulher pin-up da altura, a carreira de Florbela Queiroz acabou por seguir o seu curso natural, sendo hoje conhecida, sobretudo, como uma mulher ligada ao teatro e à televisão, apesar de hoje Florbela Queiroz (artista com quase 60 anos de carreira – e não de idade) não se encontrar devidamente reconhecida pelos seus pares, sendo as solicitações para o teatro cada vez menos frequentes.
Quer se goste quer não da sua voz em finais de década de 70 (uma vez que as opiniões relativamente a esta questão são quase sempre antagónicas), a verdade é que o registo de “A Anita já é bonita” parece-nos encaixar que nem uma luva na voz de Florbela Queiroz e no ritmo acelarado desta canção. Quer se pensa tratar-se de humor vendido ao desbarato ou não, o certo que ao som desta canção a aldeã Anita que era feia, afinal passa a ser bonita bastando para isso uma idas a Lisboa a um instituto de beleza para corrigir alguns dos seus defeitos de rosto e não só (para os mais atentos, é feita uma referência ao facto de a própria Anita ter levantado as “maminhas...”).
Para finalizar este texto, deixamos uma pequena referência ao facto de nesta canção/ paródia, existir uma referência expressa a Mogofores, terra onde José Cid continua a viver actualmente, sendo a única referência que conhecemos às terras do Mogo numa música referente a José Cid.

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Anita não é bonita

Podemos qualificar o ano de 1977 como a ano da divisão entre o que José Cid fez de mais comercial no antes e no depois da sua carreira. Efectivamente, entre 1966 e 1977 José Cid esteve ligado contratualmente à editora Valentim de Carvalho, tendo sido para essa editora que gravaria ora a solo, ora com o Quarteto 1111 (e mais tarde com os Green Windows ), os seus primeiros sucessos, embora nenhum deles tivesse ainda o peso dos mega sucessos que só mais tarde, com a ligação contratual à Orfeu, viriam a atingir. Não estando limitado, na Valentim de Carvalho, apenas ao papel de mero cantor mas também como produtor, arranjador e compositor para outros artistas, José Cid foi a partir dos finais da década de 60 e durante toda a metade da década de 70, um dos mais influentes nomes dentro daquela Editora, sendo ainda hoje um facto inegável que foram da sua autoria alguns dos mais interessantes arranjos para músicas de alguns dos mais populares cantores da época, assim como de outros que se encontravam a iniciar a sua carreira e que posteriormente se eclipsaram ( sendo o caso mais flagrante, o de José Cheta, cantor que chegou a estar na lista de preferência nas votações para cantores mais populares da década de 70 ).
Depois do sucesso da participação de José Cid no Festival de Tókyo 1975 e do lançamento do single “Ontem, hoje e amanhã” ( na sua versão portuguesa, ao contrário da versão em inglês apresentada a concurso naquele Festival), José Cid deu por terminados os trabalhos para aquela Editora, alegadamente por divergências relacionadas com o lançamento daquele single ( em detrimento da versão em inglês, da preferência de José Cid.)
Foi no ano imediatamente a seguir que Cid, após assumir o compromisso com a Orfeu, inicia uma profícua carreira discográfica no que ao lançamento de singles diz respeito. O primeiro de todos esses singles foi uma (ainda hoje) popular canção, aparentemente inspirada em factos e personagens reais (pelo menos a julgar segundo palavras do próprio artista), versando sobre uma história banal de uma mulher feia que queria ser bonita. Nada mais simples do que isso. O cenário dessa simples história, quase humorística, é uma aldeia, sendo as suas personagens meros aldeões que ocupam os seus tempos nas lides agrícolas, tal como Anita (que não era bonita) e o seu Zé apaixonado. Recorrendo a um pop rock semi-popular, destacam-se ainda neste tema os versos também populares de Maria Manuel Cid, “ ( Anita não é bonita, mas acredita que a noite cai),letrista que a partir dessa data foi uma habitual colaboradora de José Cid, quer na sua vertente mais popular, quer até numa vertente mais selecta e eclética, explorada anos mais tarde.
Á semelhança da maioria dos singles que a este se seguiram, o lado B do single é preenchido por uma balada, neste caso “O meu nome é ninguém”, com letra também de Maria Manuel Cid. Participaram na gravação destes primeiro single de José Cid, Maria Armanda, Tó Barbieri e Zé Nabo, sendo que este último viria a ter um papel de destaque nos melhores discos de José Cid para a editora Orfeu. A Anita não é bonita, pode ser encontrada em enumeras colectâneas de singles e sucessos de José Cid, nomeadamente nos seguintes discos: “Os Grandes, Grandes Êxitos de José Cid” e na Antologia “Nasci para a Música

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