Mostrar mensagens com a etiqueta Coisas do Amor e do Mar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Coisas do Amor e do Mar. Mostrar todas as mensagens

sábado, 21 de novembro de 2009

Madrugada na Praia deserta # 2

Depois de termos recebido mais de 20 comentários de diversos leitores relacionados com a última mensagem sobre ao novo disco de José Cid, na qual elaborámos a nossa humilde crítica, não podíamos ficar indiferentes ao acolhimento que a canção( por nós)escolhida para sua apresentação teve junto da crítica. Da nossa parte fica o agradecimento sincero a todos os que leram o nosso blogue e o regozijo de não termos defraudado as expectativas de todos aqueles que, de uma forma ou outra, compraram o disco influenciados pelas nossas palavras.
Não podemos também ficar indiferentes ao e-mail que recebemos dias antes, por parte da Rádio Miróbriga, a alertar-nos para o programa Atlântico, da autoria de Bruno Gonçalves Pereira, de dia 30 de Outubro. Contudo, devido aos nossos inúmeros afazeres, que nos têm impossibilitado de manter a actualização semanal do blogue a que nos tínhamos proposto, não nos foi possível anunciar atempadamente a emissão do programa, com direito a entrevista com José Cid e à versão original de “Madrugada na praia deserta”, excluída do disco, em favor da versão que apresentámos na mensagem anterior.
Por uma questão de justiça e como sabemos que a procura foi bastante, divulgamos aqui um excerto da canção, que nos foi facultada gentilmente por Luís do Ó, para que todos os leitores comparem as diferenças entre a primitiva versão e a versão definitiva. Justiça seja feita também a Ulisses Ulisses Silva,– vocalista dos K2O3 – compositor do tema, músico de Santiago do Cacém, a quem auguramos um excelente futuro como compositor.
Clique no Play para ouvir um excerto do tema retirado do programa Atlântico, que se encontra disponivel para audição na íntegra no blogue do programa ou através deste link : http://ooutrolugar.blogspot.com/2009/11/o-atlantico-ganhou-asas.html

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Coisas do Amor e do Mar - Madrugada na Praia Deserta


Sete anos depois do lançamento do último trabalho de originais, José Cid está de volta aos discos com “ Coisas de Amor e do Mar( disco que chegou a ter o título e capa provisória de “ Clube dos Corações Solitários do Capitão Cid”, claramente inspirado no homónimo dos Beatles, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band) . Não temos pretensões de ser críticos musicais, mas sendo este blogue um espaço que visa revisitar toda a carreira discográfica de José Cid, desde o ontem, o hoje e o amanhã, não podíamos ser indiferentes ao lançamento de algo de novo de José Cid, quanto mais sabendo que desde 2002 ( com excepção de “ Ao vivo no Campo Pequeno” ) apenas proliferaram no mercado colectâneas, antologias e best off' de José Cid. Sob pena de o sucesso dos seus recentes concertos ao vivo não acompanhar o sucesso discográfico era pois imperioso que emergisse na discografia de José Cid algo de novo, que fizesse lembrar aos ouvintes mais distraídos que afinal o trabalho de José Cid não se resume apenas a velhos sucessos. Bem, pelo contrário; como já havíamos vaticinado num texto anterior, José Cid está para durar e em grande forma. Basta ouvir este disco para concluir dessa maneira.
Apesar de José Cid afirmar sem rodeios que “coerente era a minha avó”, ( frase estampada na t-shirt oferta que acompanha o disco) o certo é que, na nossa opinião, este disco é um dos mais coerentes que José Cid lançou nos últimos anos: Primeiro por se tratar de um disco com um fio-de-prumo assumidamente pop-rock, embora com algumas nuances de funky em algum temas ( nomeadamente no sublime “ Ele, Ela e a Cidade”,a nova versão de Telenovelas de 1996 ), depois por se tratar de um disco com uma produção cuidada no seu todo, conferindo-lhe assim uma homogenidade sonora e musical, uma vez que nada foi deixado ao acaso, gravado sem pressas desesperadas de finalização estética, e sobretudo, por se tratar de um disco conceptual, como todas as canções centradas na temática do amor e do mar. (Podemos mesmo dizer, com a certeza absoluta de que José Cid concordará connosco, que o novo disco de José Cid é o resultado da combinação explosiva daquilo que o amor e o mar nos podem oferecer quando conjugados entre si). E por fim, coerência que se manifesta também em termos de escrita, no qual José Cid vai buscar os suspeitos do costume no que toca à autoria das letras das canções: a poetisa Maria Manuel Cid, autores clássicos e contemporâneos como David Mourão Ferreira e Almeida Garrett, Ana Sofia Cid, e claro, o próprio José Cid.

Mais do que “ De Surpresa”, "Coisas de Amor e do Mar", surge-nos com um som fresco e actual por parte de um capitão Cid, nitidamente despreocupado com as pressões de fabricante de sucessos que outrora sobre si recaíam. No entanto, apesar dessa despreocupação, facilmente se poderão retirar cinco ou seis possíveis singles de sucesso imediato. Canções como “Todas as mulheres do mundo”, “+ um dia” ( genérico da telenovela da TVI Doce Fugitiva e single de apresentação do disco) e “Só eu tu e o vento” são disso um exemplo. Por outro lado, numa vertente menos comercial surgem-nos ligeiros desvios à coerência do disco, no reinventar de temas dos anos 90 como o já referido Telenovelas ( agora sobre o nome de Ela, Ele e a Cidade), "E por Vezes" ( em dueto com Susana Félix) e, sobretudo, o muito bem conseguido dueto com Luís Represas. Neste dueto, José Cid a bom tempo recuperou o tema “No meu veleiro”, com letra e música de sua autoria, primeiramente cantado pela desconhecida Paula em 1993 sob o nome de “No meu barquinho” e posteriormente por José Cid, sob o nome de “Mudança”, em 1994, do albúm “Vendedor de Sonhos”.
Com todo o respeito pelos outros convidados de José Cid no disco ( Susana Félix e André Sardet), a escolha de Luís Represas para interpretar em dueto “O meu veleiro”, para além parecer ser a única escolha possível, devido às caracteristicas da sua voz, culmina na sua versão definitiva, visto que o encaixe da voz de Luís Represas nesse tema atinge a perfeição, ao ponto de ser totalmente legítimo pensar até que poderiamos bem estar perante um tema retirado de um disco do próprio Luis Represas !

Há ainda, dois outros temas que destacamos do novo disco de José Cid e que, aconselhamos, caso o leitor compre o disco, a ouvir com a devida atenção: “É no silêncio das coisas”, não só pela música em si, mas sobretudo pelo belíssimo poema legado por Maria Manuel Cid, e “Madrugada na praia deserta”, tema que escolhemos para apresentar este disco aos leitores. Por quê,, pergunta o leitor ? Por varias razões: Em primeiro lugar, é o tema que esteticamente se destaca mais de todos os outros, com uma toada marcadamente rock sustentada num som de guitarra com os efeitos de reverbação e delay que fazem até lembrar um The Edge ( guitarrista dos U2). E,por outro lado, é neste tema que José Cid surpreende até mais cépticos em relação à frescura, joviabilidade e força da voz de um cantor que interpreta uma canção tecnicamente exigente, que muitos vocalistas de bandas jovens não conseguiriam interpretar da forma como José Cid o fez a caminho dos setenta anos. ( Aconselhamos mesmo os mais novos a não tentarem fazer o mesmo em casa., sob pena de poderem ficar com danos permanentes nas cordas vocais...)
Da nossa fica então o registo positivo do regresso de José Cid aos discos de originais, restando-nos aguardar agora pelo lançamento dos discos já gravados e ainda não lançados tais como “ O menino prodígio”, “Quem tem medo de baladas ?” “ Fados e Fandangos” e “Vozes do Além” ( o aguardado disco de rock progressivo, ainda em gravação ).



Clique no play para ouvir um excerto de "Madrugada na praia deserta"