quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Anita não é bonita

Podemos qualificar o ano de 1977 como a ano da divisão entre o que José Cid fez de mais comercial no antes e no depois da sua carreira. Efectivamente, entre 1966 e 1977 José Cid esteve ligado contratualmente à editora Valentim de Carvalho, tendo sido para essa editora que gravaria ora a solo, ora com o Quarteto 1111 (e mais tarde com os Green Windows ), os seus primeiros sucessos, embora nenhum deles tivesse ainda o peso dos mega sucessos que só mais tarde, com a ligação contratual à Orfeu, viriam a atingir. Não estando limitado, na Valentim de Carvalho, apenas ao papel de mero cantor mas também como produtor, arranjador e compositor para outros artistas, José Cid foi a partir dos finais da década de 60 e durante toda a metade da década de 70, um dos mais influentes nomes dentro daquela Editora, sendo ainda hoje um facto inegável que foram da sua autoria alguns dos mais interessantes arranjos para músicas de alguns dos mais populares cantores da época, assim como de outros que se encontravam a iniciar a sua carreira e que posteriormente se eclipsaram ( sendo o caso mais flagrante, o de José Cheta, cantor que chegou a estar na lista de preferência nas votações para cantores mais populares da década de 70 ).
Depois do sucesso da participação de José Cid no Festival de Tókyo 1975 e do lançamento do single “Ontem, hoje e amanhã” ( na sua versão portuguesa, ao contrário da versão em inglês apresentada a concurso naquele Festival), José Cid deu por terminados os trabalhos para aquela Editora, alegadamente por divergências relacionadas com o lançamento daquele single ( em detrimento da versão em inglês, da preferência de José Cid.)
Foi no ano imediatamente a seguir que Cid, após assumir o compromisso com a Orfeu, inicia uma profícua carreira discográfica no que ao lançamento de singles diz respeito. O primeiro de todos esses singles foi uma (ainda hoje) popular canção, aparentemente inspirada em factos e personagens reais (pelo menos a julgar segundo palavras do próprio artista), versando sobre uma história banal de uma mulher feia que queria ser bonita. Nada mais simples do que isso. O cenário dessa simples história, quase humorística, é uma aldeia, sendo as suas personagens meros aldeões que ocupam os seus tempos nas lides agrícolas, tal como Anita (que não era bonita) e o seu Zé apaixonado. Recorrendo a um pop rock semi-popular, destacam-se ainda neste tema os versos também populares de Maria Manuel Cid, “ ( Anita não é bonita, mas acredita que a noite cai),letrista que a partir dessa data foi uma habitual colaboradora de José Cid, quer na sua vertente mais popular, quer até numa vertente mais selecta e eclética, explorada anos mais tarde.
Á semelhança da maioria dos singles que a este se seguiram, o lado B do single é preenchido por uma balada, neste caso “O meu nome é ninguém”, com letra também de Maria Manuel Cid. Participaram na gravação destes primeiro single de José Cid, Maria Armanda, Tó Barbieri e Zé Nabo, sendo que este último viria a ter um papel de destaque nos melhores discos de José Cid para a editora Orfeu. A Anita não é bonita, pode ser encontrada em enumeras colectâneas de singles e sucessos de José Cid, nomeadamente nos seguintes discos: “Os Grandes, Grandes Êxitos de José Cid” e na Antologia “Nasci para a Música

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