domingo, 31 de janeiro de 2010

Junto à lareira

1978 foi para José Cid um ano de intensa produção discográfica, tendo aquele ano ficado marcado como um dos anos em que este artista mais sucessos produziu, todos eles lançados para o mercado sob o formato single.Terá sido mesmo a partir de 1978 que José Cid alcançou o estatuto de um dos mais populares cantores de sempre da música portuguesa, graças a sucessos como “Junto à lareira”, “ O meu piano” ou "A minha música", entre outros. Foi também nesse mesmo ano que José Cid lançou para o mercado o seu disco mais conceituado e um dos melhores de sempre da sua carreira, o L.P. “10.000 anos depois entre Vénus e Marte”, mantendo assim igualmente a sua vertente camaleónica ao produzir simultaneamente vários registos musicais em estilos musicais totalmente diferentes e muitas vezes antagónicos.
Nesse ano, até à gravação do seu single mais conhecido na época ( A minha música), foram previamente lançados por ordem sucessiva os seguintes singles : “ Ti Anita/Junto à lareira; "O meu piano/A mansarda/"; "Aqui fica uma canção/ Retrovisor"; "O largo do coreto/ Mulher até quando" e "Porquê/Adulto Criança", sendo que os últimos quatro foram lançados todos de uma assentada, como assim comprovam as referências Orfeu Ksat 618,619,620 e 621 respectivamente.
Certamente já muitos se interrogaram o porquê de a Editora não ter decidido reunir num único disco todas essas canções e lançá-las para o mercado em formato L.P., uma vez que foram gravadas todas elas numa única altura. Obviamente que várias razões terão existido para que tal assim tivesse sucedido. Naturalmente, a principal razão prende-se com o facto de, atendendo à época em que nos encontrávamos ( no tempo do vínil) era mais prático e mais barato ao ouvinte adquirir um disco bem mais pequeno, com a canção mais apelativa no lado A e uma outra menos apelativa no lado B. Por outro lado, o lançamento de um L.P. sem que antes tivesse sido proporcionado ao ouvinte uma amostra do mesmo sob a forma de single não era prática comum, sob pena o L.P. não ter posteriormente sucesso em termos comerciais, por muito bom que ele fosse. Exemplo mais evidente disso mesmo, foi o que aconteceu com o L.P. “10000 mil anos depois entre Vénus e Marte” que para além de conter um registo sonoro diferente daquilo que os fans de José Cid estavam acostumados a ouvir, foi lançado sem que antes ( nem depois) lhe tivesse precedido um único single de apresentação. Curiosamente, actualmente esta tradição praticamente já não existe e quando existe não tem qualquer expressão, uma vez que em regra primeiro as editoras lançam para o mercado o CD e só depois é que extraem diversos CD's singles, na sua grande parte destinados a coleccionadores e não ao público em geral como era regra há 30 anos atrás.
Aliás, os cenários inverteram-se de tal maneira que quando actualmente é lançado um CD para o mercado já o mesmo contem uma etiqueta com a indicação de que o mesmo inclui diversos hits que ainda ninguém ouviu !
No entanto, voltando ao assunto, a verdade é que, facto pouco conhecido, é que nesse mesmo ano José Cid lançou para o mercado dois discos de 33 rpm, uma vez que a editora Orfeu, decidiu lançar posteriormente, reunidos num mesmo disco, todos os singles que atrás mencionámos, numa edição que reveste hoje carácter de alguma raridade pois, até ao momento, têm sido poucos os exemplares deste L.P. que temos visto à venda. Com a menção na contracapa de “ Orfeu Especial” o L.P/ compilação “ O meu piano, Aqui fica uma canção; O largo do coreto; Porque” tem sido muitas vezes confundido com um E.P. devido título que ao mesmo foi dado. Contudo, trata-se de um disco de longa duração que reúne as dez últimas canções gravadas por José Cid durante o ano de 1978 até à data do seu lançamento.
Suspeitamos igualmente que, devido à capa do disco em que aparece José vestido com um fato de astronauta (tal qual Flash Gordon ) que o mesmo já terá sido lançado depois de “10.000 anos depois entre Vénus e Marte”, quem sabe para colmatar o fracasso de vendas deste último...
Seja como for, mais importante do que as músicas contidas neste disco, que no fundo grande parte das pessoas conhece, fica aqui o registo da capa deste L.P., que embora tratando-se de uma compilação não poderá deixar de constar da discografia oficial de José Cid. Mesmo assim, escolhemos para apresentação do L.P. A sua conhecida balada “ Junto à lareira”,mais tarde versionada por Tony de Matos e pela cantora brasileira Joana.

Junto à Lareira também disponível em : " Os grandes, grandes Êxitos de José Cid", Ti Anita ( Single), Antologia "Nasci para a musica" ( 2 CD)

video

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4 comentários:

dlt disse...

Os quatro temas indicados na capa são os temas com que concorreu ao Festival desse ano. Daí terem sido publicados esses singles de seguida. Admira-me que o Na Cabana Junto à Praia não tenha sido single já que concorreu ao OTI. O disco da Joanna deve ter contado com a colaboração de José Cid porque tem mais temas relacionados com ele.

dlt disse...

http://q1111.no.sapo.pt/josecid.htm - a data de edição do "Tia Anita" deve estar errada. Mesmo assim percebe-se que o José Cid tinha entrado para a editora poucos meses antes. Nessa altura o single era o formato mais conhecido. Naquela altura os Lps até poderiam ter poucos temas tendo aumentado muito com o aparecimento do CD. Chegam a haver CDs simples com 20 ou mais temas. Curiosamente nos tempos do digital os "downloads" funcionam quase como os antigos singles.

João Pedro disse...

"Os quatro temas indicados na capa são os temas com que concorreu ao Festival desse ano. Daí terem sido publicados esses singles de seguida" - Pois, é verdade, não tinha pensado nas coisas desse ponto de vista e faz todo o sentido. Tenho que emendar o comentário. Obrigado pela sua mensagem.

dlt disse...

Fitacola, uma banda punk-rock da nova geração, já com álbum editado. Este EP para a Optimus Discos tem duas curiosidades: um dueto com o brasileiro Badauí e um dueto com o Kalú, dos Xutos & Pontapés, no "Cai Neve em Nova Iorque", do José Cid.

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