domingo, 30 de outubro de 2011

Amanhã, Amanhã - Conjunto Mota e Costa

Conforme já referimos algures neste blogue, sendo José Cid um dos artistas mais reconhecidos no panorama musical português, foi com naturalidade que ao longo de mais de 40 anos de carreira discográfica as suas músicas têm sido sendo reinterpretadas por outros artistas, nos mais diversos estilos musicais, desde a música ligeira, rock, fado ( incluindo o humorístico), jazz e musica popular, como por exemplo o acordeão e até conjuntos típicos.
Tendo tal facto em mente a partir de hoje tentaremos, sempre que possível, intercalar uma mensagem referente a uma canção de José Cid, cantada pelo próprio José Cid com uma outra mensagem referente a versões dessa mesma canção gravadas e interpretadas posteriormente por outros artistas.
Começamos hoje com uma primeira alusão a uma versão de uma canção de José Cid interpretada por um conjunto típico: Referimo-nos ao tema "Amanhã, Amanhã", interpretado pelo Conjunto Mota e Costa, gravado para a Editora Roda em 1973 ( Roda RPE 1215) tendo como cantador António Teixeira. Naturalmente não temos muitas considerações a tecer sobre a versão deste tema, uma vez que a mesma em si mesmo não é surpreendente na medida em que segue a linha musical normal que o Conjunto Mota e Costa seguia na altura, embora, o Conjunto Mota e Costa não fosse tecnicamente um conjunto típico na medida em que se socorria de uma instrumentalização por vezes bem diversa dos genuínos conjuntos típicos da altura.
Seja como for, de todas as versões que conhecemos do tema "Amanhã, Amanhã "de José Cid, esta versão, sem dúvida, a que mais nos transporta para um estilo radicalmente diferente da versão original, permitindo-nos assim destacar a versatilidade que próprias canções podem revestir ( sejam de José Cid, sejam de outros artistas). Por essa razão, mais por curiosidade, do que por outra coisa, deixamos aos nossos leitores um excerto da canção, com a promessa de que mais atempadamente voltaremos com novas versões.



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Clique no Play para ouvir um excerto da canção


sábado, 8 de outubro de 2011

Amanhã, Amanhã

Independentemente das divergências sobre a qualidade da música que José Cid gravou para a Editora Orfeu, a verdade é que foi para esta editora que José Cid alcançou os seus grandes sucessos através da edição quase que sucessiva de discos de ouro e de platina. A única excepção parece ter sido, aquando da formação dos Green Windows, o single "Vinte anos" - gravação efectuada ainda durante os anos em que José Cid era um artista contratualmente ligado à Valentim de Carvalho ( sua primeira e única editora até então) - o qual perdura, até hoje, como o seu maior sucesso.

Só depois de ter vencido o Festival da R.T.P. da Canção em 1980 é que José Cid pode finalmente entrar para a galeria dos artistas que mais vendiam em Portugal e dos mais respeitados pelo público em geral. Tornava-se assim imperioso que a Editora Orfeu lançasse para o mercado uma colectânea com os maiores êxitos de José Cid numa estratégia comercial de sucesso quase que garantido à partida e, por outro lado, como factor de reconhecimento de um artista cuja música, até então, dividia ainda sectorialemente a opinião pública.

Não se estranhou assim que, num disco duplo de nome " Os grandes, grandes sucessos de José Cid", constassem todos os lados A's dos singles que José Cid tinha gravado para a Editora Orfeu desde 1976 até à data de lançamento do duplo L.P. e ainda alguns dos temas de um dos álbuns gravados em nome próprio durante esse período, " José Cid Canta Coisas Suas", tendo sido excluído do alinhamento dos grandes sucessos de José Cid todo e qualquer tema do álbum "10.000 anos depois entre Venus e Marte".

Contudo, o grande interesse desta colectânea de êxitos é o facto de a mesma não ter sido apenas um recompilatório da discografia de José Cid. Na verdade, a Editora aproveitou igualmente para juntar à colectânea uma versão do tema "Vinte Anos", gravado pela primeira vez em nome próprio por José Cid, bem como alguns temas originalmente da fase " Valentim Carvalho" regravados por José Cid para a Editora Orfeu e que viriam a ser incluídos também neste Duplo LP. Porém, nesta colectânea José Cid não se limitou a brindar os fãs com a regravação de alguns dos seus maiores sucessos uma vez que neste álbum aparecem pela primeira vez temas nunca antes ouvidos pelo público em geral, pertencendo, assim, tais canções à categoria de inéditos. Referimo-nos, por exemplo de "Gloria Gloria Aleluia" ( canção originalmente escrita para Tonicha, representante do Festival Ibero Luso-Americano de 1971 ) e "Amanhã, Amanhã", uma canção com letra e música de José Cid, gravada originalmente por José Cheta, em 1972, acompanhado pelo Quarteto 1111 ( ou pelo que restava dele).

Relativamente a esta última canção não podemos deixar de referir que se trata de um dos nossos temas preferidos de José Cid, em boa hora reaproveitado pois a sua interpretação suplanta, em muito, a interpretação quase que monocórdica de José Cheta gravada anos antes para a Valentim de Carvalho. Nesta interpretação, José Cid em plena força e capacidade vocal socorre-se de uma instrumentalização adequada a uma canção de esperança para aqueles, que por uma ou outra razão, se encontram desiludidos ou resignados com as contrariedades da vida. Trata-se, assumidamente, de uma canção dirigida provavelmente a um destinatário especial mas que, bem vistas as coisas, pode até ser qualquer um de nós quando ( ainda que momentaneamente) pensamos que da própria vida nada mais podemos esperar. Enganamo-nos, pois, claro. Há sempre que ter esperança no dia de amanhã e é isso que nos move para um futuro melhor.

Resta-nos a dúvida de saber se esta canção foi gravada ainda durante os anos em que José Cid estava contratualmente ligado à Valentim de Carvalho e cedida "gentilmente" por esta Editora para completar a colectânea ou se foi mesmo regravada à data do lançamento deste duplo disco com os músicos habituais de José Cid dessa altura ( Mike Sergeant, Ramón Galarza e Zé Nabo). Um dúvida que não conseguimos ver esclarecida até à publicação desta mensagem, desde já apelando aos conhecimentos dos mais entendidos nesta matéria.

"Amanhã, Amanhã", foi posteriormente versionada por outros artistas, encontrando-se a versão do próprio José Cid também disponível no duplo CD Antologia # 2.


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Clique no Play para ouvir um excerto de "Amanhã, amanhã"